Governo manifesta ‘preocupação’ com decisão dos EUA de tarifar aço e alumínio importado

Donald Trump confirmou que serão adotadas taxas de 25% para importação de aço e de 10% para alumínio. Governo brasileiro diz que pode buscar ‘ações’ para preservar interesses do país.

Por Yvna Sousa, TV Globo, Brasília

01/03/2018 18h51 Atualizado há 13 horas

O Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC) divulgou nota nesta quinta-feira (1º) informando que o governo brasileiro recebeu “com enorme preocupação” a informação de que os Estados Unidos vão impor tarifas sobre a importação de aço e alumínio.

Mais cedo nesta quinta, o presidente americano, Donald Trump, confirmou a decisão e informou que serão adotadas taxas de 25% para importação de aço e de 10% para alumínio. Trump argumenta que as tarifas vão proteger os setores de siderurgia e alumínio do país, que estariam sofrendo competição desleal de outros países nos últimos anos.

Em nota, o MDIC avaliou que, caso seja adotada, “a restrição afetará exportações brasileiras de ambos setores”. E informou que pode buscar medidas no âmbito do comércio internacional para derrubar a sobretaxa.

“O governo brasileiro não descarta eventuais ações complementares, no âmbito multilateral e bilateral, para preservar seus interesses no caso concreto”, diz o texto.

Encontro com governo americano

Na terça-feira (27), o ministro da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, Marcos Jorge, se reuniu em Washington com o secretário de Comércio dos Estados Unidos, Wilbur Ross, para tratar do assunto.

O MDIC informou que, no encontro, Marcos Jorge defendeu que a indústria siderúrgica brasileira é complementar à americana, uma vez que cerca de 80% das exportações de aço aos Estados Unidos são de produtos semiacabados, utilizados como insumos.

Além disso, o ministro ressaltou que o Brasil é o maior importador de carvão siderúrgico do parceiro norte-americano, utilizado para a produção de aço – sendo este material exportado aos Estados Unidos.

“O governo brasileiro espera, portanto, trabalhar construtivamente com os Estados Unidos para evitar eventual aplicação [de tarifas de importação], o que traria prejuízos significativos aos produtores e consumidores de ambos os países”, diz a nota.

Segundo o MDIC, o secretário Wilbur Ross teria mostrado “disposição para buscar soluções positivas” e dito que a “decisão de aplicação da sobretaxa poderia ser recorrida pelos países interessados”, informa a nota.