Chile e Brasil assinaram nesta quarta-feira (21) um Tratado de Livre-Comércio (TLC) negociado em tempo recorde que aprofundará o intercâmbio entre Santiago e seu maior parceiro comercial na América Latina.

Por Paulina Abramovich

AFP 21 de novembro de 2018

“Poucos acordos de livre-comércio no mundo foram iniciados, negociados e assinados em um prazo tão curto, o que provavelmente constitui um recorde”, disse o presidente Sebastián Piñera, ao assinar o acordo com o mandatário brasileiro Michel Temer, no palácio presidencial de La Moneda, na capital chilena.

O acordo, que levou apenas seis meses para ser negociado, vem atualizar o Acordo de Associação Econômica (ACE) vigente entre os dois países há 30 anos e associação chilena ao Mercado Comum do Sul (Mercosul) – do qual o Brasil faz parte com Uruguai, Paraguai e Argentina – e que libera de tarifas por completo o comércio bilateral.

Dentro dos pontos estabelecidos pelo novo TLC está a eliminação do “roaming” telefônico após dois anos da vigência do tratado, “o que impactará no turismo, no comércio digital e nos empreendimentos”, de acordo com as autoridades chilenas.

A cada ano, 500.000 brasileiros visitam o Chile, enquanto 300.000 chilenos viajam ao Brasil, segundo dados oficiais.

– Acordo express –

O acordo começou a ser negociado em 27 de abril de 2018. Após quatro rodadas de negociação, os países anunciaram ter alcançado um TLC que conta com 23 capítulos, incluindo áreas como telecomunicações, comércio eletrônico e de serviços, meio ambiente e gênero.

O tratado também incorpora acordos em matéria de investimentos, serviços financeiros e compras públicas, o que dará a possibilidade de empresas chilenas participarem de licitações públicas no Brasil em igualdade de condições com as locais.

O Brasil atualmente é o maior parceiro comercial do Chile na América Latina. Entre janeiro e agosto, o intercâmbio comercial cresceu 21%, a US$ 6,808 bilhões.

Após assinar o acordo, o presidente Temer voltou imediatamente ao Brasil. Ele destacou a intenção do Chile de promover a integração do Mercosul com a Aliança do Pacífico, um bloco de países integrado por Chile, Colômbia, Peru e México.