As corretoras seguem otimistas com o mercado de ações, apesar do tropeço em fevereiro, quando o Índice Bovespa fechou em queda de 1,9% depois de subir 10% em janeiro.

Por Arena do Pavini

07/03/2019

Neste mês, a Bradesco Corretora e a Ágora Corretora, ambas do Bradesco, ajustaram suas estimativas para o Índice Bovespa no fim deste ano, de 112 mil pontos para 116 mil, com base na melhora das expectativas dos analistas para o crescimento do lucro das empresas.

Segundo a equipe de estratégia de pessoas físicas, liderada por José Cataldo, as ações brasileiras parecem baratas, negociadas em múltiplos que estão ligeiramente abaixo da média histórica e com um prêmio de risco de ações 2,3 pontos percentuais acima da média.

Otimismo apesar dos riscos altos

As corretoras dizem estar otimistas com os ajustes fiscais profundos prometidos pelo governo de Jair Bolsonaro, apesar de reconhecerem que há riscos altos, particularmente entre março e maio, quando o governo tentará aumentar ao máximo sua base de coalizão no Congresso e a reforma da Previdência “provavelmente será diluída”, dizem os analistas do Bradesco. A proposta da Nova Previdência estima uma economia de R$ 1,1 trilhão, ou mais de 2% do PIB de economia em 10 anos, mas já há forte resistência a alguns pontos, como a idade para a trabalhadora rural se aposentar, a contribuição mais alta dos funcionários públicos, a idade mínima para as mulheres de 62 anos, o benefício para os idosos em situação de miséria abaixo de um salário mínimo e mudanças na aposentadoria dos militares.

Mesmo assim, o banco destaca que um ajuste fiscal profundo poderia reduzir as taxas de juros mais baixas, reduzindo a taxa de desconto futura sobre os preços dos papéis e aumentando seu valor atual, estendendo o ciclo de crescimento da economia e abrindo espaço para medidas adicionais de ajustes, como privatizações e vendas de ativos.

Ibovespa de volta aos 88 mil e dólar a R$ 4?

Mas o risco ainda é bastante alto e as chances de sucesso ou fracasso estão bem divididas. As corretoras do Bradesco atribuem 50% de probabilidade de um cenário mais negativo, que poderia levar o Índice Bovespa de volta aos 88 mil pontos e o dólar para R$ 4,00. Esse cenário ocorreria se o Congresso aprovasse uma reforma da Previdência muito limitada, que representasse uma economia de apenas R$ 450 bilhões em 10 anos, menos da metade do previsto no projeto original. Mesmo assim, a economia cresceria por três anos por conta da inflação baixa e da capacidade ociosa, mas de maneira modesta.

Bolsa em 145 mil pontos e dólar a R$ 3,40?

Já o cenário otimista, de aprovação de uma reforma mais profunda, mas mais modesta que a desejada pela equipe econômica, com economia de R$ 800 bilhões em 10 anos, faria o Ibovespa atingir 145 mil pontos no fim de 2019 e o dólar cair para R$ 3,40. Esse cenário tem probabilidade de 50%, segundo o Bradesco e, nele, a recuperação da economia seria mais sólida e o país cresceria bem por pelo menos cinco anos.

Apertem os cintos

O que se sabe com certeza é que a volatilidade deve aumentar no curto prazo à medida que as discussões da reforma da Previdência ganhem fôlego no Congresso, diz o BTG Pactual. O banco diz que manteve uma carteira mais defensiva neste mês, com papéis de alta qualidade e com bons resultados para enfrentar essas turbulências. Mas  segue otimista com o mercado acionário, acreditando que o Índice Bovespa continuará com sua tendência de alta no médio e longo prazo com a aprovação da reforma.

Cadê o estrangeiro que estava aqui?

O BTG destaca que as aplicações de fundos globais de mercados emergentes no exterior bateram em setembro o menor nível histórico em meio a uma eleição difícil de entender lá fora e que assustou os estrangeiros da bolsa brasileira. Desde então, a fatia de ações brasileira nesses  fundos globais subiu de 6,4% para 8,3% em janeiro. Até 2013, esse percentual superava os 10%, o que mostra que há espaço para aumento dos investimentos estrangeiros no Brasil. O BTG trabalha com um Índice Bovespa acima da média história, aos 112 mil pontos caso a reforma da Previdência passe. Os juros de longo prazo do governo podem recuar abaixo de 4% ao ano.

As ações preferidas pelo banco são de empresas mais beneficiadas pela retomada da economia brasileira e pela baixa taxa de juros, incluindo estatais, empresas de consumo, bancos e empresas geradoras de caixa.

Já a XP Investimentos segue otimista acreditando que o caminho do Índice Bovespa para os 125 mil pontos continua delineado para 2019. A corretora acredita que o ano de 2019 pode ser transformacional para o Brasil. “Mantemos visão de que bolsa é a melhor classe de ativos no Brasil, com risco-retorno atraente”, diz a XP, que estima que, em um cenário pessimista, com a reforma diluída ou atrasada, o Ibovespa poderia terminar 2019 em 87.500 pontos (9% de queda em relação aos níveis atuais), o que se compara aos 125.000 pontos do cenário base, com a aprovação da reforma no terceiro trimestre e representaria 30% de alta.