Boeing vai ser detentora de 80% do negócio na NewCo, como é chamada por ora a empresa criada por meio da parceria na aviação comercial. Para especialista, intenção é transmitir mensagem de continuidade e confiança ao mercado.

Por Suellen Fernandes e André Rosa, G1 Vale do Paraíba e região

21/03/2019

Após o anúncio que o executivo da Embraer John Slattery vai presidir a nova empresa criada com a Boeing, um organograma obtido pelo G1 mostra que, por enquanto, toda a estrutura de comando da nova companhia vai contar com lideranças que atuam hoje pela fabricante brasileira. (veja acima os nomes indicados)

Quatro cargos de direção, que vão responder diretamente ao presidente CEO da ‘NewCo’, como é chamada por ora a nova empresa, ainda estão indefinidos. Os nomes serão anunciados nos próximos meses – conforme o documento divulgado internamente e que a Embraer não comenta.

Em dezembro, as duas companhias acertaram os termos da venda do controle dos negócios de aviação comercial da Embraer para a Boeing, após terem assinado memorando de entendimento em julho. O acordo prevê que a fabricante brasileira transfira 80% da unidade para Boeing e mantenha participação de 20%, tendo poder de decisão sobre alguns temas estratégicos.

Para André Castellini, sócio da empresa de consultoria Bain & Company e especialistas no setor aeronáutico, com o movimento, as empresas demonstram uma mensagem de continuidade nos negócios da aviação comercial desenvolvidos pela Embraer, sem ruptura brusca da engrenagem em operação atualmente.

“A leitura que pode ser feita é que a Boeing confirma por meio de fatos o que tem manifestado sobre a intenção de preservar o que existe hoje, no modelo da Embraer. Ou seja, essa nova companhia será uma empresa completa, com seus projetos e produção de aeronaves”, disse ao G1.

A possibilidade de transferência de mão-de-obra intelectual e fabricação de jatos para o exterior tem sido motivo de preocupação do Ministério Público e do Sindicato dos Metalúrgicos, que cobram retaguardas contratuais para os temas.

“Por essa estrutura é possível enxergar que há confiança e uma visão positiva da Boeing sobre os gestores e também quanto ao modelo de gestão que a Embraer desenvolveu. Não seria incomum que, em um processo como esse, as ‘peças’ fossem trocadas, mas a impressão é que o objetivo é prestigiar o sucesso da Embraer [líder no mercado de aeronaves de até 150 lugares] e dar ao mercado uma mensagem de continuidade. Os clientes já estão acostumados, por exemplo, com o Slattery”, analisou Castellini.

O executivo tem 50 anos e está desde 2011 na Embraer, onde preside o setor de aviação comercial. O nome do executivo para o cargo na nova empresa depende ainda de aprovação pelo conselho de administração.

A fabricante tem ainda uma divisão de defesa não incluída no negócio com a norte-americana.

Nomes

Entre os indicados à NewCo, o executivo Rodrigo Vasconcelos é desde novembro de 2017 diretor de RH da fabricante brasileira; Marcos Teixeira e John Linn são, respectivamente, diretores jurídico e de suporte ao cliente da Embraer há mais de 10 anos.

Mauro Kern, indicado para direção de engenharia, é vice-presidente executivo de engenharia da companhia brasileira. Já Helio Bambini é vice-presidente executivo de operações, desde outubro de 2017. Arjan Meijer, na Embraer desde 2016, é diretor de aviação comercial.

O executivo Simon Newitt, há 15 anos na Embraer, ocupa há dois a função de vice-presidente de contratos

Embraer

Com a ‘dança das cadeiras’, a Embraer também divulgou internamente o novo organograma que deve ser aplicado após a criação da nova empresa. Veja abaixo:

O futuro diretor-presidente, que vai assumir o posto ocupado por Paulo César de Souza e Silva, vai ter o nome divulgado até o dia 22 de abril.

O executivo foi convidado para ser consultor sênior do Conselho de Administração da Companhia, com a incumbência de facilitar a integração do novo Diretor Presidente, bem como assessorar o Conselho de Administração até o fechamento da operação com a Boeing.