SÃO PAULO (Reuters) – O dólar subia ante o real nesta sexta-feira, depois de três quedas consecutivas, com investidores captando o clima arisco no exterior em meio a temores de mais abalo econômico decorrente de medidas para conter o coronavírus, os quais sobrepujavam o anúncio na véspera de um pacote trilionário de estímulos nos Estados Unidos.

Riscos de lockdowns mais rígidos na Alemanha e na França –as duas maiores economias da zona do euro– e uma ressurgência de casos de Covid-19 na China –a segunda maior economia global– levavam investidores a buscar mercados mais seguros em detrimento de moedas emergentes e petróleo, entre outros ativos de risco.

O real tinha o segundo pior desempenho global, melhor apenas que o shekel israelense, que caía mais de 2% após o banco central do país aumentar o volume de intervenção para conter os ganhos da moeda, a qual bateu recentemente uma máxima em 25 anos.

No exterior, o índice do dólar frente a uma cesta de rivais avançava 0,24%, enquanto moedas de perfil semelhante ao do real se depreciavam.

Os mercados digeriam o anúncio feito na véspera pelo presidente eleito dos EUA, Joe Biden, de proposta de estímulo econômico de 1,9 trilhão de dólares. Mas o próximo mandatário norte-americano deve enfrentar obstáculos no Congresso.

“Biden anunciou um grande estímulo. Mas os mercados estão caindo. Tanto o mercado não acredita que irá acontecer (o plano de estímulo) quanto ele já estava precificado depois do vazamento no noticiário um dia antes –ou os mercados estão simplesmente cansados”, disse Jens Nordvig, fundador da Exante Data e que já trabalhou no Goldman Sachs, Nomura e Bridgewater.

Apesar da alta desta sexta, o dólar no Brasil ainda caminhava para queda semanal de 2,9%, após saltar 4,34% –maior alta desde junho–, marcando o pior começo de ano para o real desde pelo menos 2003.

Estrategistas do Deutsche Bank ainda veem o real com potencial de valorização, sobretudo contra o peso mexicano. Eles argumentam que a moeda brasileira está “relativamente isolada” dos efeitos de juros mais altos nos Estados Unidos devido à “muito baixa” participação de investidores estrangeiros na dívida pública local.

Além disso, “a moeda é a mais barata do mundo, o resultado somado da conta corrente e da conta de capital está se recuperando e o BC está ficando mais cauteloso com o câmbio devido à inflação em alta”, afirmaram George Saravelos e Shreyas Gopal em relatório desta semana.

Desde a última terça-feira –quando bateu uma mínima desde junho de 2004–, o real acumulava ganho de 3,9% frente ao peso mexicano.

(Por José de Castro)

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