SÃO PAULO (Reuters) – Os distribuidores de aços planos no Brasil consideram que o valor do produto cobrado pelas usinas siderúrgicas no país já está próximo do nível em que a importação começa a fazer sentido econômico, mesmo com o câmbio no nível atual.

O segmento, que é responsável por cerca de 30% do consumo de aço no país, acumulou nos últimos meses reajustes de preços de mais de 100% e avalia que eventuais novos aumentos pelas usinas podem ser difíceis de serem implementados.

“Nos preços atuais o prêmio já está em 12%, 13%…são prêmios que anteriormente mostraram incentivo à importação”, disse o presidente do Instituto Nacional dos Distribuidores de Aço (Inda), Carlos Loureiro, em entrevista a jornalistas nesta terça-feira.

“Está no limite para incentivar importação”, disse Loureiro, acrescentando que “a curto prazo vemos estabilidade de preços” diante da alta dos preços internacionais puxada por aumentos nos custos de insumos como carvão e minério de ferro.

As importações de aço plano pelos distribuidores subiram 75% em janeiro sobre dezembro e cerca de 52% sobre janeiro do ano passado, para 161,4 mil toneladas, segundo os dados do Inda.

Em janeiro, as vendas dos distribuidores de aço plano no Brasil subiram 12,7% contra dezembro e 16,2% na comparação anual, para 324,6 mil toneladas. Enquanto isso, as compras de material das usinas pelo setor subiram 0,8% ante dezembro e 13% contra janeiro de 2020, para 335,9 mil toneladas, segundo dados do Inda.

A combinação fez o nível de estoques do setor subir 1,7% em janeiro contra dezembro, para 687 mil toneladas, equivalente a 2,1 meses de venda, uma queda ante o verificado em dezembro.

“O que temos recomendado é que a rede (de distribuidores) refaça os estoques com muita parcimônia…Vamos ver os estoques subindo lentamente durante o ano”, disse Loureiro, ressaltando o risco de se montar estoques sob um nível de preço elevado de produto.

A expectativa da entidade é que as vendas de aço pelos distribuidores de planos cresça cerca de 6% este ano, “podendo chegar a 8%, 9%” dependendo de como a pandemia, e o auxílio emergencial do governo federal, evolui no Brasil, disse o presidente do Inda.

Segundo ele, as usinas estão negociando com o setor automotivo os contratos anuais restantes de preços depois de reajustes de parte deles em janeiro. “Para abril está sendo negociado ao redor de 60% a 70% de aumento”, disse Loureiro.

Apesar do nível atual de preços do aço no país, ele afirmou que não espera no curto prazo haver sobra de produtos acabados no país que force as usinas a concederem descontos nos seus preços no mercado interno.

“As usinas estão com suas carteiras de pedidos lotadas e os preços todos implantados”, disse Loureiro. “A Usiminas (SA:USIM5) está praticamente fechando já a programação de maio”, acrescentou.

Para fevereiro, a expectativa do Inda é que a compra e a venda de aço plano pelos distribuidores tenham uma queda de 5% na relação com janeiro.

(Por Alberto Alerigi Jr.)

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