Expectativa para o déficit em transações correntes de 2019, um dos principais indicadores das contas externas, passou de US$ 30,8 bilhões para US$ 19,3 bilhões. Projeção para o superávit (exportações menos importações) da balança subiu de US$ 40 bilhões para US$ 46 bilhões.

Por Alexandro Martello, G1 — Brasília

27/06/2019

O Banco Central reduziu de R$ 30,8 bilhões para US$ 19,3 bilhões sua estimativa para o rombo nas contas externas neste ano. A informação está no relatório de inflação do primeiro trimestre, divulgado pela instituição nesta quinta-feira (27).

A conta de transações correntes é formada pela balança comercial (comércio de produtos entre o Brasil e outros países), pelos serviços (adquiridos por brasileiros no exterior) e pelas rendas (remessas de juros, lucros e dividendos do Brasil para o exterior). Trata-se de um dos principais indicadores do setor externo brasileiro.

De acordo com o BC, as “perspectivas de desaceleração do crescimento global e a redução na projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) doméstico em 2019 condicionaram a revisão do deficit em transações correntes”.

A lógica é que, com uma expansão menor do PIB – cuja previsão de alta caiu de 2% para 0,8% neste ano – a economia brasileira comprará menos produtos e insumos do exterior. Com isso, o rombo da contas externas será menor.

O Banco Central também manteve em US$ 90 bilhões sua estimativa para o ingresso de investimentos estrangeiros diretos na economia brasileira neste ano. Com isso, essa entrada segue sendo mais do que suficiente para “financiar” o rombo das contas externas estimado para 2019.

Balança comercial

Com o crescimento menor da economia, a expectativa da instituição é de que a balança comercial também tenha um resultado melhor em 2019.

Em março, o BC estimou um superávit (exportações menos importações) de US$ 40 bilhões para 2019, valor que subiu, no documento divulgado nesta quinta-feira, para US$ 46 bilhões de saldo positivo.

“A revisão da balança comercial de bens, comparativamente à projeção anterior, reflete o recuo na estimativa de crescimento econômico doméstico e a evolução do câmbio ao longo do ano”, informou o BC.

O Banco Central informou que passou a projetar, nesse ano, exportações de US$ 243 bilhões e importações de US$ 197 bilhões.